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17/09/2021

º Olhos nos olhos... º


 Vi AQUI

Seu Horácio, que durante toda sua vida trabalhou, de repente, sente-se  abandonado, pois sozinho ficou...

Faz pouco, sua amada, dona Rosa,  
adoeceu e foi para um lugar bem mais encantado...

Os netos que sempre com eles conviviam,  cada um para seu canto foi e  para eles, a vida de adulto, já começou... 
Passam os dias ocupados e, apenas pelo telefone conseguem se falar e ainda assim, com muita pressa, pois muito tem com que se ocupar!

Assim, da sua vida tão boa, pouca coisa lhe restou...
Uma delas,  o Xereta, cachorro que o acompanha onde quer que vá!

É com ele que em meio às brumas, os cinzas da praça perto de sua casa, consegue ver  brilho, pois ele, leal e atencioso, sabe pelo menos lhe escutar!

Impressiona a todos a sintonia, entre eles grande conexão... 
Olhos que se cruzam,olho a olho, bem no fundo, causam em quem os vê, grande emoção!


chica

11/09/2021

º Traumas e flores... º

                                       “Floral” Original pintado com a boca e o pé por Maria Goret Chagas
 

Minha participação na BC :Uma imagem- Um conto lá do blog da Norma


Vera  sempre adorara flores, desde pequena. Porém foi criada por alguém que delas não gostava, sua mãe Terezinha, que achava que davam muito trabalho e assim, não as comprava e até quando as recebia de presente, não se alegrava  e nem disfarçar conseguia.

Vera lembra bem disso, quando com seu primeiro salário, chegou até a mãe, toda feliz e lhe deu um belo ramalhete de flores bem coloridas, mescladas, como desejava que fosse a vida. Não obteve sucesso! 

Não se conformava com aquilo e graças aos seus dons artísticos, pintou exatamente aquele mesmo buquê numa tela e a presenteou , após emoldurada.

Lembra bem que, quando a mãe desembrulhou  e viu a tela, ficou em silêncio e, logo após, chorando, pediu desculpas... Conseguiu finalmente romper o silêncio, colocar pra fora um sentimento guardado por duas gerações.

 Falou à filha que lembrava bem do dia que recebera dela as flores, mas que elas traziam sempre tristes recordações, de um tempo em que um velho jardineiro amigo da família, a levou para o quintal e dela, em meio às flores, quis  abusar.

Por isso, delas queria distância.  

Após o abraço, mãe e filha unidas choraram e depois, juntas foram escolher um lugar de destaque na parede.  

Ali ficou um registro e bem mostrada a importância de um tratamento para curar feridas. 

Se deixarmos crescerem em nós, até flores podem parecer ervas daninhas!


Participem também lá na Norma!


beijos, chica

  

06/09/2021

º Hora de perceber... º








Faltavam poucos dias para o final daquele inverno frio e longo...

O sol naquele dia brilhava convidando a sair de casa.

As cores do dia animavam a um passeio pelo parque.

Lisa pega sua bolsa e seu companheiro de sempre: o livro .

Lá chegando, o tira da bolsa e vê o marcador de páginas...

Ali havia parado sua leitura no último passeio.

Relembra então o trecho que lera e sabe que agora, quer ir mais adiante.

Está emocionante!

Quer mais e mais...Sem quase se dar conta, senta no seu banco predileto por lá.

À medida que lê percebe tantas semelhanças em sua própria vida com a de Arlete, a triste protagonista do livro.

Vai se identificando tanto que quando vê o que Arlete está fazendo com sua vida ao amar o homem errado, sabe que como ela, é hora de mudar.

Reflexiva, coloca novamente o marcador no capítulo que acabara de ler e fecha o livro.

Agora dirige-se ao seu banco e por lá, tem a certeza, uma intuição de que ao reabrir, na próxima vez aquele livro, sua vida terá tomado um outro rumo...

Certamente como na nova estação que se aproximava , o sol lhe sorriria muito mais brilhante ainda!

Faria algo por ela mesma.
Seria uma outra Lisa!
Floresceria na primavera!

chica



31/08/2021

º O cesto... º


imagem google


Um cesto de palha lindo, colorido, bem tampado. Lembro como se estivesse  ainda aqui à minha frente. 

Dentro dele, vários pacotes com novelos de lãs ,  trabalhos iniciados e por terminar.

Hoje,  cesto fechado, as lãs ali guardadas, as agulhas com os trabalhos, não mais tocadas.  Tudo mudou...

Dessa lembrança , só podemos refletir: a dona do cesto partiu , se recolheu e  o que víamos  agora eram linhas duma vida sendo recolhidas de volta ao novelo!






Essa foi minha participação no Desafio nº 249  lá do blog das 77 palavras.
Vejam este pedacinho de texto:
«E era linha duma vida sendo recolhida de volta ao novelo.»
(Recantiga, Miguel Araújo)

Este é o final do texto e pode ser um bocadinho alterado, mas a ordem das palavras deve manter-se.